Inovação e Tecnologia

A corda que a Fly London deu aos sapatos da Kyaia

A indústria do calçado que, na década dos anos oitenta, parecia condenada com a entrada na Comunidade Económica Europeia, terminou 2017 com um novo máximo de exportações, como já hábito desde há oito anos. Entre vendas de sapatos para mais de 150 países, as vendas de calçado português chegaram aos 1 979 mil milhões de euros. Fortunato Frederico criou o maior grupo, nesta indústria, que somou vendas de 65 milhões de euros. Vamos rever o percurso da Kyaia.

O grupo foi criado em 1984, quando muitos vaticinavam que a indústria do calçado não sobreviveria dentro da CEE, e, dez anos mais tarde, apostou na compra da marca inglesa Fly London, cujas vendas, hoje em dia, representam 61% da faturação total do grupo. Exportam 95% da sua produção e empregam 600 pessoas em cinco fábricas, em Guimarães e Paredes de Coura.

A originalidade sempre foi a marca deste grupo mas a força atual da Kyaia reside numa aposta destemida na tecnologia.

Em 2014, desenvolveram a Highspeed ShoeFactory, uma iniciativa desenvolvida em consórcio com CEI – Companhia de Equipamentos Industriais, Flowmat – Sistemas Industriais e Silva e Ferreira e Creativesystems e que oferece sapatos personalizados em 24 horas.

Em 2016, apresentaram SmartSL 4.0, ou seja Smart Stitching Logistics, que “assegura uma gestão ágil e flexível de linhas de costura para a produção de calçado”. Esta solução, resultado de uma parceria com o INESC Porto — Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência, é utilizada nas suas fábricas, além de ter potencial assumido de comercialização. O seu grande intuito é agilizar a produção de sapatos e torná-la mais eficiente, como resposta às encomendas digitais do comércio online onde as lojas nunca fecham.

O passo lógico seguinte aconteceu este ano: o grupo Kyaia lançou a plataforma de comércio online, Overcube, resultado de um investimento de um milhão de euros. Como reportado pelo Dinheiro Vivo, já trabalham com 35 marcas e já chegam a quatro mercados, Portugal, Espanha, Reino Unido e Alemanha.

A chave do sucesso do grupo Kyaia foi, segundo Fortunato Frederico, o investimento que nem sempre foi rápido a dar frutos. A aposta na inovação tecnológico permitiu que se mantivessem no topo da indústria que ajudaram a modernizar, cuja exportações cresceram mais de 60% na última década, de acordo com a Exame.

 

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