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Sage One

Unicórnios: o único mito que todas as startups querem ser

Em outubro de 2018, a Talkdesk juntou-se à Farfetch e à OutSystems como o terceiro unicórnio, no mercado privado, com origens portuguesas. Qual é a definição de um unicórnio? Como é que estas startups portuguesas atingiram esse patamar? Vamos descobrir no artigo de hoje.

Um unicórnio é uma startup que tenha obtido uma avaliação dos seus investidores de pelo menos mil milhões de dólares. Em Portugal, as três empresas que ganharam este nome são empresas tecnológicas – caso que, de resto, se repete mundialmente, como por exemplo com a Uber ou com a Airbnb.

O nome unicórnio foi uma ideia original de Ailee Lee, uma investidora de risco. Em 2013, fez uma pequena pesquisa para ajudar numa decisão de investimento. Descobriu que apenas 0.07% de empresas financiadas por capital de riscos atingiam avaliações superiores a mil milhões de dólares. Como são raridades no mundo do investimento na tecnologia, Lee nomeou-as de unicórnios. Admite que o seu lado divertido e mítico ajudou na decisão, uma vez que captura também assim a essência destes negócios.

O unicórnio português mais novo

A Talkdesk surgiu em 2011, quando dois estudantes de engenharia de telecomunicações e informática, Cristina Fonseca e Tiago Paiva, conceberam a criação de callcenters digitais, passíveis de serem criados em apenas cinco minutos. A ideia valeu-lhes uma apresentação em São Francisco e um convite para ficarem na incubadora 500 Startups. Além de um bónus de 50 mil dólares. Em 2017, os fundadores foram considerados pela Forbes como “30 dos melhores empreendedores do mundo com menos de 30 anos”.

Empresas digitais

A Farfetch lançou uma plataforma online que trouxe a moda de luxo para o mundo digital. A OutSystems dedica-se ao desenvolvimento de plataformas low-code e vende aplicações com o mínimo de código possível. A primeira sagrou-se unicórnio em 2015 e a segunda, em julho de 2018. Reconhecem o fio condutor entre estas empresas?

Os negócios tecnológicos são os mais facilmente recebem investimento internacional. A acessibilidade e facilidade de adaptação do negócio ao mercado estrangeiro são grandes vantagens. A rapidez de formação e desenvolvimento também os torna mais atrativos.

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Inovação e Tecnologia

Sage impulsiona a digitalização de 50 000 empresas

O mercado digital português é um diamante em bruto, pronto para expansão. A ideia foi abordada em novembro de 2018, na segunda edição das Sage Sessions. Discutiu-se as dificuldades das empresas portuguesas em implementar uma digitalização de sucesso.

Com o intuito de superar esses obstáculos, a Sage juntou-se à ACEPI para lançar o programa de Comércio Digital. O projeto irá oferecer um voucher gratuito para micro, pequenas e médias empresas, que ajudará à digitalização de 50 000 negócios.

Pretende-se apoiar as empresas a adotar um modelo de negócio digital – através da implementação de uma presença online e da desmaterialização de processos com clientes e fornecedores. O voucher oferecerá ferramentas para construção de um site, juntamente com alojamento e domínio registado do mesmo, e uma caixa de correio eletrónico. Enquanto parceira deste projeto, a Sage é a software house que disponibilizará as soluções de faturação adequadas a cada negócio.

Isália Barata, Diretora de Marketing da Sage, refere que: “Na Sage acreditamos no potencial que a digitalização traz ao negócio e o nosso compromisso é esse mesmo, apoiar as empresas portuguesas com ferramentas que as façam crescer, prosperar e vingar no mercado. Esta parceria com a ACEPI é mais um passo nesse sentido – a digitalização é já inevitável, é um caminho natural, mas muitas empresas precisam de suporte para o conseguirem, nomeadamente as de menor dimensão. Queremos que tenham a possibilidade de adquirir uma solução Cloud ou até mesmo Cloud Connected que se adeque de facto às necessidades reais do negócio e aos seus objetivos de crescimento, seja em Portugal seja em qualquer lado, pois esse é o grande benefício do comércio eletrónico.” 

A longo prazo, pretende-se que as empresas sejam capazes de captar novos clientes, alcançar novos mercados e otimizar processos de organização. Para isso, o Comércio Digital viajará pelo país, de norte a sul, ao longo dos dois anos, à procura dos negócios com vontade de se digitalizarem. Com 150 sessões de apresentação, a ACEPI e as entidades envolvidas pretendem divulgar o projeto junto das empresas portuguesas.

A primeira sessão do roadshow acontece já no dia 6 de fevereiro, em Leiria, no Teatro Miguel Franco, e contará com a presença da Sage. Consulte as restantes datas do roadshow aqui. Inscreva o seu negócio no concurso Comércio Digital aqui.

 

Inovação e Tecnologia

Farfetch: Como levar o amor pela moda até à Bolsa de Valores de Nova Iorque

“A Farfetch existe graças ao amor pela moda. Acreditamos na promoção da individualidade. A nossa missão é ser a plataforma tecnológica global na moda de luxo, ligando criadores, curadores e consumidores”, lia-se no documento de apresentação ao regulador do mercado norte-americano. A Farfetch estreou-se em bolsa, em setembro de 2018, com ações a quase 50% do preço da oferta pública inicial. Obteve 885 milhões de dólares com a entrada no mercado de capitais norte-americano, escolhida por acolher muitos investidores em empresas tecnológicas. No entanto, a startup, com base em Londres, começou longe de Nova Iorque.

A startup foi fundada pelo português José Neves em 2007 e revelou o seu ponto forte ao aliar moda de luxo e tecnologia. A Farfetch permite, nas suas plataformas digitais, a venda de mais de 700 marcas de topo, como Chanel e Gucci, e assiste uma gestão de backoffice eficiente.

Uma outra característica principal que levou ao seu sucesso foi permitir a boutiques independentes ter uma presença online, preservando as suas lojas físicas. Assim, a Farfetch criou a sua identidade como mercado agregador de lojas únicas e com oportunidades globais, para vendedores e clientes.

Em 2017, a dimensão de vendas privadas deu mais força ao negócio. Em cidades como Los Angeles, Nova Iorque, Hong Kong, Londres, Moscovo e Tóquio, colaboradores dedicam-se apenas a vendas VIP, com personal shoppers ou stylists. No final de 2017, revelaram que a utilização das suas plataformas tinha subido 40% relativamente ao ano anterior, com 935 mil de utilizadores.

Em 2018, a Farfetch continuou a inovar. Compraram, em dezembro, a Stadium Goods, por reconhecerem o valor do setor de streetwear de luxo, que já valia 70 mil milhões de dólares em 2017. José Neves admitiu, em entrevista ao South China Morning Post, que considera que a consolidação do mercado online e offline é o maior ponto de investimento para a empresa, além de outros fatores como sustentabilidade e Inteligência Artificial. Apontando um crescimento previsto de 500% na próxima década para o comércio online, explica que será nesse sentido que a Farfetch continuará a apostar.

 

Sage Sessions

Sage Sessions 2018: Relembrando a mesa redonda “Digitalização, internacionalização, revolução: o futuro das empresas portuguesas

No dia 29 de novembro de 2018, realizou-se a segunda edição das Sage Sessions e a mesa redonda “Digitalização, internacionalização, revolução: o futuro das empresas portuguesas” contou com as seguintes presenças: Carla Pereira, Vice-Presidente da ACEPI, Sérgio Gonçalves, Partner da Live Content, Ricardo Nunes, Co-Founder d’O Benefício, Pedro Magalhães, Diretor de Dep. Relações Internacionais da CCIP, e André Pinto, Administrador da Mecwide.

Condições e dificuldades específicas do mercado português

Sobre o contexto online português, Carla Pereira relembrou que 60% das empresas portuguesas não têm presença online, segundo um estudo da ACEPI. No entanto, 90% dos consumidores em Portugal que fazem compras online fazem-no através de sites estrangeiros. Portanto, o mercado digital português é um diamante em bruto e pronto para expansão.

Sérgio Gonçalves afirmou que o maior entrave à internacionalização das PME portuguesas é a falta de recursos. Por essa mesma razão, as empresas começam por primeiro assegurar presença nas redes sociais, antes de inaugurarem um site ou uma loja online, imaginando chegar a um maior público com pouco gasto. Por outro lado, Ricardo Nunes falou em primeira mão sobre a rapidez da comunicação do mundo online, sendo que o seu projeto, O Benefício, começou, efetivamente, como um hashtag no Facebook.

Outro fator determinante do mercado português que foi abordado é a nossa dimensão enquanto país com 10 milhões de habitantes, que condiciona a produção. Pedro Magalhães relembrou como muitas empresas contornam a dificuldade da escala portuguesa, apostando em negócios de nicho – muitas vezes, acabam por transformar setores “de ponta”.

André Pinto deu o exemplo da Mecwide, uma empresa criada com pensamento já no mercado externo, para levar competências e vantagens portuguesas até países com falta desses recursos técnicos. Aventuraram-se, com sucesso, diretamente no mercado global desde o início do empreendimento.

Conselhos para internacionalização e digitalização

Carla Ferreira defendeu que, antes de mais, a entrada no mercado digital deve ser levada a sério e suportada por um plano de negócios adequado. Recordou que a ACEPI tem os programas cofinanciados Norte Digital e Comércio Digital, que ajudam a “desmistificar o digital” e a lançar essa mudança com um business plan.

Pedro Magalhães frisou a importância de estabelecer uma relação de confiança com novos clientes, parceiros, distribuidores ou importadores no estrangeiro, para se fazer o melhor uso das tecnologias neste novo passo global. Explicou também o tipo de apoio que a CCIP pode prestar a empresas interessadas na internacionalização, facilitando networking no estrangeiro.

Em termos de estratégia, Sérgio Gonçalves explicou como o autoconhecimento de um negócio é essencial para que se possa posicionar, no mercado, de acordo com o seu fator diferencial. Para se lançar um projeto para novos mercados, globais e digitais, deve existir confiança na vossa ideia – como recordou Ricardo Nunes com o lema d’O Benefício: “Ninguém sabe o que é mas vai ser incrível”. Também nesse sentido, André Pinto reforçou o valor indispensável de arriscar e dar o primeiro passo.

Em resumo: as empresas portuguesas estão no bom caminho e cada negócio deve analisar o seu caso para analisar a possibilidade de internacionalização. Com planeamento, recursos e um pouco de atrevimento, as portas do mercado global e digital estão abertas. Até porque, como Sérgio Gonçalves explicou, “para fazer uma empresa e para nascer um negócio, é preciso uma certa dose de loucura, é preciso acreditar que vai ser possível”.

 

Contabilidade

O Contabilista na era digital – Parte II

É corrente, nos procedimentos contabilísticos, colocar-se a questão da obsolescência de bens do ativo das empresas. Este assunto poderá hoje também ser colocado, não aos bens do ativo de uma empresa, mas ao Contabilista. Será que a era digital tornará o Contabilista obsoleto?

Esta pergunta enquadra-se num contexto em que, segundo o matemático inglês Clive Humby, “os dados são o novo petróleo” e na afirmação de Gerd Leonhard, “a inteligência artificial é a nova eletricidade. Primeiro eletrificámos, depois digitalizámos, agora vamos cognificar”.

Cabe aqui recordar que, na década de setenta do século passado, os procedimentos contabilísticos assentavam no registo manual das operações, no Livro do Diário e do Razão, e no arquivo da documentação, em dossier por ordem cronológica.

A título de exemplo, para a execução destas tarefas existia a disciplina de Caligrafia ministrada nas escolas comerciais onde se formaram muitos dos contabilistas do século passado.

As rotinas contabilistas foram-se alterando. Passámos a eletrificar” a contabilidade. Alguns ainda se recordam das máquinas de contabilidade onde se inseriam fichas do razão para registar as operações económicas realizadas pelas empresas.

Nos últimos anos, com a evolução das Tecnologias da informação, o Contabilista tem de saber tirar partido do novo petróleo”, que são os dados existentes no sistema de informação, em que se tornou a Contabilidade.

Para que o Contabilista não venha a ficar obsoleto é importante que se habitue a explorar toda a informação existente nas bases de dados dos sistemas de informação.

Deixo-vos apenas algumas questões sobre o conjunto das empresas de que são responsáveis:

  • Quantas aplicam o Normativo Contabilístico das Microentidades (NCRF – ME)?
  • Quantas aplicam o Normativo Contabilístico das Pequenas Entidade (NCRF – PE)?
  • Quantas aplicam as 28 Normas Contabilistas de Relato Financeiro (NCRF)?
  • Quantas aplicam a Norma Contabilística e de Relato Financeiro para Entidades do Setor Não Lucrativo (NCRF – ESNL)?
  • Quantas empresas apresentam o Capital Próprio Negativo?
  • Qual a estrutura de gastos das empresas em função do volume de negócios?
  • O Plano de Contas de cada empresa está em sintonia com o Normativo Contabilístico adotado?
  • Quanto tempo despendo na execução em cada uma das contabilidades de que sou responsável?
  • Comparo o gasto que incorro com o rendimento que usufruo, em cada uma das contabilidades que estão sobre a minha responsabilidade?

Para estas questões teremos de ter resposta imediata. As respostas a estas perguntas não podem ser vagas (tenho uma ideia, devem ser …) mas devem ser precisas e concisas.

Como afirmei anteriormente, a era digital será muito mais estimulante para o Contabilista, assim ele esteja desperto para tirar partido do novo petróleo do século XXI, que são os dados que o sistema de informação, que é a contabilidade, possui.

Lisboa, 13 de dezembro de 2018

Bruno Lagos

Bruno Lagos, Licenciado em Organização e Gestão de Empresas; Mestre em Auditoria Contabilística; Nos últimos 25 anos, técnico superior na Administração Fiscal Portuguesa.